segunda-feira, 25 de julho de 2016

O ponto de vista e a vista do ponto...



Eu traço em torno de mim círculos e santas fronteiras: cada vez são menos os que sobem comigo por montanhas mais elevadas; eu levanto uma cadeia de montes cada vez mais santos.

Mas onde quer que desejeis subir comigo, meus irmãos, olhai que não haja parasitas que subam convosco! 

Um parasita é um verme rasteiro e insinuante que quer engordar com todas as vossas intimidades enfermas e feridas. 

É esta a sua arte; adivinhar onde estão, fatigadas, as almas que sobem. Na vossa aflição, no vosso descontentamento, no vosso frágil pudor constrói o seu repugnante ninho. 

Onde o forte é débil, onde o nobre é demasiado indulgente, é ali que constrói o seu repugnante ninho; o parasita habita onde o grande tem recantos doentes. 

Qual é espécie de seres mais elevada, e qual a mais baixa? O parasita é a espécie mais baixa, mas o da espécie mais alta é o que alimenta mais parasitas. 

Como não há de a alma, que tem a escala mais vasta, descer mais baixo, transportar sobre si o maior número de parasitas?  

 A alma mais vasta que pode correr, extraviar-se e errar mais longe em si mesma; a mais necessária, que por prazer se precipita no azar. A alma que é e se submerge na corrente do há de ser; a alma que possui e quer o querer e o desejo. 

A alma que foge de si mesma, e que se alcança a si mesma no mais amplo círculo; a alma, mais sensata a quem a loucura convida mais docemente. A alma que ama mais a si mesma, na qual todas as coisas têm a sua ascensão e a sua descensão, o seu fluxo e o seu refluxo… 

Ó! como não havia a alma mais alta de ter os piores parasitas?